quarta-feira, 15 de abril de 2009

Prêmio

GLOBO.COM
15/04/09 - 16h54 - Atualizado em 15/04/09 - 16h54
Arcebispo é premiado por se posicionar contra aborto de menina estuprada

Garota de 9 anos foi violentada por padrasto em Alagoinha (PE).
Ela ficou grávida de gêmeos e aborto foi autorizado pela Justiça.

O arcebispo do Recife e Olinda, dom José Cardoso Sobrinho, recebe, na noite da próxima quinta-feira (16), o Prêmio Cardeal Von Galen, concedido pela instituição norte-americana Human Life International. Segundo os organizadores da premiação, o arcebispo será homenageado por ter se posicionado contra o aborto realizado no caso da menina de Alagoinha (PE), que, aos 9 anos, engravidou de gêmeos depois de ser violentada pelo padrasto.

Para dom José Cardoso, o prêmio foi “uma grande surpresa”. “Recebi um telefonema dos Estados Unidos me informando sobre a homenagem. Nem sonhava com isso”, disse o arcebispo.

Segundo Raymond de Souza, diretor de programações da Human Life International para os países de língua portuguesa, dom José Cardoso foi escolhido por “ter tomado uma atitude coerente diante do caso do aborto, mesmo tendo sido atacado e mal interpretado pela imprensa nacional e internacional”.

Para Souza, o arcebispo é um “modelo de pessoa que não tem medo da impopularidade para defender os ideais, a doutrina cristã, a vida”. O prêmio oferecido pela entidade que Souza representa homenageia iniciativas, em todo o mundo, de “luta pela preservação da vida, independente da raça, religião e classe social”.

Aborto
Em março deste ano o arcebispo dom José Cardoso Sobrinho excomungou os médicos e a mãe da menina de 9 anos que interrompeu a gravidez de gêmeos. Na época,o arcebispo disse que o padrasto da menina, suspeito de violentá-la e ser pai dos bebês, não podia ser excomungado.


"Ele cometeu um crime enorme, mas não está incluído na excomunhão", afirmou Sobrinho. "Esse padrasto cometeu um pecado gravíssimo. Agora, mais grave do que isso, sabe o que é? O aborto, eliminar uma vida inocente."

terça-feira, 24 de março de 2009

Estado de S. Paulo

Jornais, Igreja e Estado

Carlos Alberto Di Franco

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O Brasil é um país de expressiva maioria católica. A informação de religião, portanto, merece atenção especial. A quantidade da informação religiosa, em geral, é bastante razoável. Alguns riscos, no entanto, ameaçam a qualidade da cobertura jornalística. Sobressai, entre eles, a falta de especialização, o razoável desconhecimento técnico e, reconheçamos, certa dose de preconceito. Acresce a tudo isso o amadorismo, o despreparo e a falta de transparência da comunicação eclesiástica. Recentes episódios, lamentáveis, evidenciam a urgente necessidade de profissionalização da comunicação institucional da Igreja.

A Igreja Católica, instituição de grande presença e influência na agenda pública brasileira, é sempre notícia. Trabalhar a informação religiosa com rigor e isenção é um desafio. Muitas vezes ganhamos. Outras, perdemos. Em sua primeira viagem à África, o papa Bento XVI reafirmou a oposição da Igreja ao uso dos preservativos. Os jornais afirmaram que Bento XVI teria dito que "a camisinha agrava a aids". Errado. O que o papa disse e tem repetido é que a verdadeira luta contra a aids passa pela "humanização da sexualidade". A mera distribuição de preservativos é, segundo a Igreja, uma estratégia equivocada. A Igreja prega abertamente que a fidelidade dentro do casamento heterossexual, a castidade e a abstinência são a melhor maneira de combater a aids. Tal postura não decorre de uma histeria conservadora. Resulta, na verdade, de conceitos antropológicos profundos, embora, reconheço, politicamente incorretos. Podemos concordar ou discordar, podemos achar que se trata de uma exigência excessiva, mas não podemos desqualificar por baixo.

A mídia dá foco absoluto ao que a Igreja faz ou fará. Gente de todas as denominações cristãs (e até mesmo sem qualquer profissão religiosa) dá opiniões sobre os caminhos que a Igreja Católica deve adotar. Se a Igreja estivesse de fato fora do tempo, anacrônica e ultrapassada, poucos se dariam a esse trabalho. A eleição de Bento XVI, por exemplo, foi um case jornalístico interessante. A cobertura, lá fora e aqui, foi quantitativamente exuberante. Do ponto de vista da qualidade, no entanto, ficou bastante aquém do que poderíamos ter feito. Ficaram, alguns jornais, reféns de declarações de reduzidos e conhecidos desafetos do então cardeal Ratzinger. Criou-se, assim, uma falsa imagem do novo papa. Bento XVI seria um eclesiástico duro, quase intratável. Quem o conhece, e nós o vimos de perto aqui no Brasil, sabe que se trata de um brilhante intelectual, mas também de um homem simples, cordial, com uma ponta de timidez que desarma e cativa.

Agora, como papa, por óbvio, defende o núcleo fundamental da fé católica. Sem essa defesa, muitas vezes na contramão dos modismos de ocasião, a Igreja perderia sua identidade. Se os papas procurassem o "sucesso" - que parece ser a medida suprema da realização para os que tudo medem pelos ibopes -, bastaria que, esquecendo-se da verdade que custodiam, se tivessem bandeado pouco a pouco, como fazem certos "teólogos", para os "novos valores" (em linguagem cristã, contravalores) que cada vez mais tentam dominar o mundo.

É patente que, na hora atual, vivemos uma encruzilhada histórica em que são incontáveis os que parecem andar pela vida sem norte nem rumo, entre as areias movediças do niilismo. O papa teve sempre plena consciência dessa situação e, em vez de sentir a tentação daqueles teólogos que aspiram aos afagos do mundo para dele receberem diploma de "modernos" e "progressistas", ele dá, diariamente, a vida por uma verdade que pode resgatar este mundo, sem se importar com que o chamem de retrógrado, conservador ou desatualizado. Ou será que se espera um papa que deixe de ser cristão para ser mais bem aceito?

Pretende-se que, perante este deslizamento do mundo para baixo, com a glorificação de todo nonsense moral, o papa exerça a sua missão acompanhando a descida, cedendo a tudo e se limitando a um vago programa socioecológico, a belos discursos de paz e amor e a um ecumenismo em que todos os equívocos se podem abraçar e congraçar, porque ninguém acredita mais em coisa alguma, a não ser em viver bem? Mas a coerência doutrinal da Igreja, por vezes conflitante com certas posturas comportamentais, tem sido um fator de defesa e elevação ética das sociedades.

O crescimento da Igreja, como salientou Bento XVI, dá-se "muito mais por atração", nunca por imposição. Entre uma pessoa de fé e um fanático existe uma fronteira nítida: o apreço pela liberdade. O sectário assume a sua convicção com intolerância. O fanático impõe. A pessoa de fé, ao contrário, assenta serenamente em seus valores. Por isso, a sua convicção não a move a impor, mas a estimula a propor, a expor à livre aceitação dos outros as ideias que acredita dignas de serem compartilhadas.

A correta informação sobre a Igreja passa pelo reconhecimento de seu papel na sociedade e pelo seu direito de transitar no espaço público. Caso contrário, cairíamos no laicismo antidemocrático. O Estado é laico, mas não é ateu. O laicismo militante pretende ser a "única verdade"racional, a única digna de ser levada em consideração na cultura, na política, na legislação, no ensino, etc. Por outras palavras, o laicismo é um dogmatismo secular, algo tão pernicioso quanto o clericalismo do passado.

Tentar expulsar a Igreja do debate em defesa da vida, por exemplo, é arbítrio laicista. A independência é um bem para a Igreja e para o Estado. Mas não significa ruptura e, muito menos, virar as costas para o Brasil real, uma nação de raízes culturais cristãs. Informar com isenção é um desafio. E é aí que mora o fascínio da nossa profissão.

Carlos Alberto Di Franco, doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, professor de Ética, é diretor do Master em Jornalismo (www.masteremjornalismo.org.br) e da Di Franco - Consultoria em Estratégia de Mídia (www.consultoradifranco.com)
E-mail: difranco@iics.org.br

sábado, 14 de março de 2009

Afinal, excomunga ou não excomunga?

14/03/2009 - 15h44
Em artigo, Vaticano critica excomunhão de envolvidos em aborto em menina brasileira
ANSA
CIDADE DO VATICANO, 14 MAR (ANSA) - O Vaticano afirmou que antes de pensar na excomunhão dos envolvidos no aborto feito na garota brasileira de 9 anos que ficou grávida de gêmeos após ser violentada pelo padrasto, "seria necessário e urgente salvaguardar sua vida inocente".

"Antes de pensar em excomunhões seria necessário e urgente salvaguardar sua vida inocente, devolvendo a ela um nível de humanidade", disse o presidente da Pontifícia Academia para a Vida, monsenhor Salvatore Rino Fisichella, em artigo publicado pelo jornal vaticano L'Osservatore Romano com data de domingo, 15/3.

As declarações de Fisichella contrastam com a decisão do arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, que dias após o aborto da menina anunciou a excomunhão de sua mãe, dos médicos e dos integrantes de ONG's envolvidos no caso.

"A terrível historia da violência cotidiana" da qual a menina foi vitima, sofrendo abusos frequentes por parte de seu padrasto, "teria passado despercebida com a intervenção do bispo", observa o presidente da Pontifícia Academia para a Vida.

Para o representante do Vaticano, a menina brasileira "deveria ter sido defendida antes de tudo", mas "não foi feito isto, lamentavelmente, prejudicando a credibilidade de nossas instruções que, para muitos, parecem marcadas por insensibilidade, incompreensão e falta de misericórdia".

A criança, admite o prelado no artigo, "levava dentro de si outras vidas, tão inocentes quanto a sua, embora frutos da violência, e que foram suprimidas, mas isso não era suficiente para fazer um julgamento que pesa como um machado".

O caso da menina ganhou destaque na mídia internacional, em meio a protestos contra a decisão de Dom José. A repercussão se tornou ainda maior pela postura da Igreja Católica em um Estado laico, interferindo diretamente nas decisões judiciais, e porque o padrasto, acusado de violentar a menina de 9 anos e sua irmã, de 14, não foi excomungado.

No fim de semana passado, comunidades eclesiais de base italianas afirmaram que a decisão do arcebispo brasileiro demonstram, "mais uma vez, o sentido de distanciamento radical entre a 'Igreja do Poder' e os dramas humanos".

Em uma nota emitida na ocasião, as comunidades também criticaram o Vaticano por sua postura, afirmando que a Santa Sé teria apoiado a postura de Dom José.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Não era bem assim...

12/03/2009 - 20h38
CNBB afirma que arcebispo de Olinda não excomungou envolvidos no aborto de criança em PE
Da Agência Brasil
Em Brasília
O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Dimas Lara Barbosa, afirmou hoje (13) que o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, não excomungou nenhum dos envolvidos no aborto da menina de 9 anos violentada em Alagoinha (PE). Segundo Barbosa, o arcebispo apenas lembrou uma norma existente no direito canônico. Segundo o secretário, o estupro não é punido com excomunhão porque não está previsto nas leis da igreja.
Dom Dimas Lara Barbosa lembrou que a prática do aborto ocasiona excomunhão instantânea. "Em alguns casos especiais, se prevê esse tipo de pena, em que a pessoa pelo simples fato de cometê-lo, se coloca fora da comunhão", disse, após o encerramento da reunião do Conselho Permanente da entidade.

"As pessoas que trabalham contra o nascituro, conscientemente, se colocam fora da comunhão da igreja, porque elas já não comungam com o pensamento cristão, que é em defesa da vida", afirmou Barbosa.

Barbosa preferiu não opinar sobre a excomunhão das pessoas envolvidas no aborto. "Não sabemos quem tinha consciência ou não do ato", disse. Entretanto, para ele, a pessoa menos responsável é a mãe da menina, pois ela agiu sob pressão ao autorizar o aborto.

O presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha, afirmou que a excomunhão não tem relação com condenação eterna. "Excomunhão não é sinônimo de condenação ao inferno. Digo isso por causa do imaginário popular, quando alguém é excomungado parece que foi condenado ao inferno." Ele explicou que o ato de excomungar alguém é a punição de um delito e pode ser reconsiderado pela igreja se a pessoa não infligir novamente o código canônico.

Segundo ele, a repercussão da excomunhão dos médicos envolvidos mudou o foco da situação e esvaziou o debate da sociedade. "Esse aspecto tão repugnante do que foi o crime praticado, se diluiu diante da história da excomunhão", disse.
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12/03/2009 - 18h32
Para CNBB, excomunhão não vale para mãe de menina estuprada por padrasto
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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Dirigentes da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) afirmaram nesta quinta-feira que a mãe da menina de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto em Alagoinha (PE) não foi excomungada pela Igreja Católica depois que a criança foi submetida a aborto para interromper a gravidez, no início deste mês. Apesar de o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, ter declarado a excomunhão da mãe, a CNBB entende que ela não deve ser penalizada. O Vaticano também defendeu a excomunhão da mãe da garota.

Em relação aos médicos que realizaram o aborto, também excomungados pelo arcebispo, a CNBB diz não ter elementos para analisar a sua condenação porque considera que somente a "consciência individual" de cada um pode estabelecer eventuais punições pelos seus atos. "Cada um sabe se foi excomungado ou não", disse o secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa.

Apesar de o arcebispo não ter excomungado o padrasto responsável pelo estupro da criança, a CNBB considera que ele cometeu um pecado mortal --o que automaticamente lhe afasta da igreja caso o ato tenha sido cometido com o seu consentimento.

Os dirigentes da CNBB interpretaram as excomunhões anunciadas por dom José como um "desabafo" feito em meio à gravidade do caso, mas evitaram censurá-lo publicamente. O anúncio das excomunhões, na avaliação dos dirigentes da CNBB, foi necessário para alertar a população de que o aborto não deve se tornar uma prática comum em todo o país.

"O seu grito e o seu desabafo [de dom José Cardoso] em tom de excomunhão em nenhum momento se dirigiu às vítimas, mas aquelas pessoas que acham que matar seres humanos é uma solução para casos como este. Para quem persegue as criancinhas, vale a pena da excomunhão", disse dom Dimas.

Na opinião do secretário da CNBB, o arcebispo não "excomungou ninguém" porque "apenas lembrou uma norma em que a pessoa se coloca fora da igreja ao cometer um determinado ato". Dom Dimas entende que a mãe da criança não pode ser excomungada porque agiu sob pressão ao autorizar o aborto dos netos. A garota estava grávida de gêmeos. "O medo de perder a própria filha lhe levou a apoiar esse ato", disse.

Pelo Direito Canônico, o aborto está entre os crimes cuja pena é a excomunhão --penalidade máxima prevista Igreja Católica que impede os excomungados de participar de qualquer sacramento, embora eles não estejam banidos de participar de celebrações, como missas.

"Às vezes a excomunhão existe para chamar atenção para a gravidade do ato. O aborto traz consigo essa pena porque está se diluindo a gravidade do aborto até mesmo entre os cristãos. Quem viola isto, se coloca fora da comunidade eclesial", disse o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha.

Estupro

O presidente da CNBB disse que o estupro não é um crime penalizado com a excomunhão uma vez que toda a população sabe da sua gravidade. "O estupro é uma coisa tão repugnante que a igreja não precisa chamara atenção para ele, está na consciência de todos. O aborto não, por isso a excomunhão não é só para punir, mas para que quem praticou o ato possa perceber a gravidade e buscar sua reconciliação", afirmou dom Geraldo.

Apesar de não estar penalizado com a excomunhão, a CNBB considera que o estuprador ao cometer a violência de forma consciente já se exclui automaticamente da vida litúrgica. Da mesma forma, a entidade considera que médicos e profissionais da saúde que praticam "deliberadamente" o aborto estão automaticamente excomungados da Igreja Católica.

Polêmica

O arcebispo de Olinda e Recife causou polêmica ao afirmar que o suspeito de ter estuprado a menina de 9 anos em Alagoinha não deveria ser excomungado pela Igreja Católica. Grávida de gêmeos, a vítima foi submetida a uma cirurgia para interromper a gravidez no início de março. Após o aborto, médicos que participaram do procedimento e a mãe da menina foram excomungados.

O padrasto, que foi preso sob suspeita de ter estuprado a menina, confessou à polícia que abusava sexualmente dela e da irmã mais velha, de 14 anos, que possui problemas mentais, há cerca de três anos, afirma a polícia. De acordo com dom José, no entanto, para a Igreja Católica, o aborto é um "crime mais grave que o estupro".

quinta-feira, 12 de março de 2009

Recebi isto por e-mail

> A excomunhão da vítima
>
> ( Por Miguezim da Princesa * )
>
> I
> Peço à musa do improviso
> Que me dê inspiração,
> Ciência e sabedoria,
> Inteligência e razão,
> Peço que Deus que me proteja
> Para falar de uma igreja
> Que comete aberração.
>
> II
> Pelas fogueiras que arderam
> No tempo da Inquisição,
> Pelas mulheres queimadas
> Sem apelo ou compaixão,
> Pensava que o Vaticano
> Tinha mudado de plano,
> Abolido a excomunhão.,
>
> III
> Mas o bispo Dom José,,
> Um homem conservador,,
> Tratou com impiedade
> A vítima de um estuprador,
> Massacrada e abusada,
> Sofrida e violentada,
> Sem futuro e sem amor.
>
> IV
> Depois que houve o estupro,,
> A menina engravidou.
> Ela só tem nove anos,.
> A Justiça autorizou
> Que a criança abortasse
> Antes que a vida brotasse
> Um fruto do desamor.
>
> V
> O aborto, já previsto.
> Na nossa legislação,
> Teve o apoio declarado
> Do ministro Temporão,
> Que é médico bom e zeloso,
> E mostrou ser corajoso
> Ao enfrentar a questão.
>
> VI
> Além de excomungar
> O ministro Temporão,
> Dom José excomungou
> Da menina, sem razão,,
> A mãe, a vó e a tia,
> E se brincar puniria
> Até a quarta geração.
>
> VII
> É esquisito que a igreja,
> Que tanto prega o perdão,,
> Resolva excomungar médicos,,
> Que cumpriram sua missão,,
> E num beco sem saída
> Livraram uma pobre vida
> Do fel da desilusão.
>
> VIII
> Mas o mundo está virado
> E cheio de desatinos:
> Missa virou presepada,:
> Tem dança até do pepino,,,
> Padre que usa bermuda,
> Deixando mulher buchuda
> E bolindo com os meninos.,
>
> IX
> Milhões morrendo de Aids:
> É grande a devastação,:
> Mas a igreja acha bom
> Furunfar sem proteção
> E o padre prega na missa
> Que camisinha na lingüiça
> É uma coisa do Cão.
>
> X
> E esta quem me contou
> Foi Lima do Camarão:
> Dom José excomungou
> A equipe de plantão,
> A família da menina:
> E o ministro Temporão,
> Mas para o estuprador,
> Que por certo perdoou,
> O arcebispo reservou
> A vaga de sacristão.
>
>
>
> (*) Poeta popular, Miguezim de Princesa.,
> é paraibano radicado em Brasília.

domingo, 8 de março de 2009

Wálter Maierovitch

7 de março de 2009

Aborto e excomunhão: mãe e médicos poderão postular indenizações da Igreja.


A minha caneta falante, Concetta Rompicoglioni, pergunta se é verdade que o nosso Código Penal é de 1940. E emenda a indagar se essa nossa lei penal considera excluída a ilicitude (não há crime) de casos relativos a (1) aborto necessário e (2) aborto em face de gravidez resultante de estupro.

Respondo à Rompicoglioni, que é verdade.

Desde 1940, o legislador penal prevê o aborto terapêutico, necessário para salvar a vida de uma gestante em risco.

A lei penal de 1940, em plena vigência, também disciplina o aborto sentimental, isto é, a interrupção de gravidez resultante de estupro.

Frisei à minha caneta-falante não haver necessidade de se aguardar uma sentença condenatória por crime de estupro para se realizar o aborto. E de o médico, e não o juiz de Direito, ser o único legitimado a concluir pela ocorrência desse crime contra a liberdade sexual: estupro.

Por evidente, a Rompicoglioni sabe que o Brasil é um estado laico.

Portanto, não se rege pelas normas do direito Canônico e pelo estabelecido pelos papas, ainda que, relativamente a certas questões, eles acreditem agir sob inspiração do Espírito Santo.

Nesse contexto, é estranho que o arcebispo de Olinda e do Recife, dom José Cardoso Sobrinho, saia a público a dizer coisas que só interessam ao âmbito restrito da Igreja e aos seus fiéis. Ou seja, que foram excomungados a mãe da menor de nove anos e os médicos responsáveis pela interrupção da gravidez de fetos gêmeos. E para justificar a não excomunhão do estuprador, sustenta ser o aborto mais grave do que o estupro.

O posicionamento do arcebispo foi referendado por autoridades eclesiástica vaticanas e pela Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros (CNBB). Como se percebe, o arcebispo agiu de acordo com a posição da Igreja, sobre o tema aborto em caso de estupro.

Não podia, como acontecia nos tempos de Giordano Bruno, sair o arcebispo a dar publicidade com o objetivo de condenar moralmente. Num estado laico, isso pode ser considerado ofensivo à imagem e bom nome de um cidadão. E danos à imagem são ressarcíveis pecuniariamente, na Justiça do estado laico.

O arcebispo extrapolou ao sair a impor sanções a pessoas que nem ao menos sabe se professam tal credo.

Ao dar publicidade, parece confundir questões internas da Igreja e achar que todos brasileiros estão sob a jurisdição da Igreja.



Caso fossem vivos os responsáveis pelo Código Penal de 1940, seriam, certamente, excomungados pelo arcebispo dom José. Os seus antecessores, à época, não impuseram nenhuma excomunhão. Certamente, deve o arcebispo imaginar que devam estar a queimar na fogueira do inferno.

Por certo, poderá o arcebispo e a Igreja suportarem ações indenizatórias por danos morais, pela divulgação de juízos (excomunhão) sancionatórios não tipificados como crimes pelo estado laico brasileiro.

A menina submetida è interrupção da gravidez tinha nove anos, estava desnutrida (pesava cerca de 30 quilos) e seu aparelho genital não contava com desenvolvimento maduro para suportar um parto. Os médicos entenderam ser caso de aborto e ponto final: tollitur quaestio (encerrada a questão).

Fora isso, houve confissão do companheiro da mãe, que disse ter dela abusado, bem como da irmã dela, de 14 anos de idade, e por cerca de três anos. Em outras palavras, não havia dúvida sobre o fato do estupro.

PANO RÁPIDO. Lamentavelmente, até o presidente Lula acabou por se manifestar e a criticar a Igreja. Como chefe supremo de um estado-laico não deveria ter dado atenção ao medieval pronunciamento do arcebispo, que também deve ser contra a distribuição de camisinhas e de uso de drogas anticoncepcionais.

Vamos aguardar a reação dos médicos e da mãe da menor, “demonizados” publicamente pelo arcebispo e que poderão pedir indenizações à Justiça brasileira.

Wálter Fanganiello Maierovitch

sábado, 7 de março de 2009

O que é a excomunhão?

Excomunhão
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Excomunhão é o acto ou efeito de excomungar. O termo empregue dentro do cristianismo significa Sair da Comunhão.
Índice [esconder]
1 Igreja Católica Apostólica Romana
1.1 Casos para a Excomunhão da Igreja Católica
1.2 Tipos de excomunhão religiosa
2 Judaísmo
[editar]Igreja Católica Apostólica Romana

É uma das maiores penas que um fiel pode receber da Igreja. Cujo fiel fica proibido de receber os Sacramentos e de fazer alguns atos Eclesiáticos. A excomunhão faz parte das censuras no Código de Direito Canônico, sendo uma das três mais duras e severas.
[editar]Casos para a Excomunhão da Igreja Católica
O Código de Direito Canónico prevê desde 1983 nove casos para a pena de excomunhão:
Profanação das espécies sagradas;
Violência física contra o Pontífice;
Absolvição por um sacerdote do cúmplice do pecado da carne;
Consagração ilícita de um bispo sem mandato pontifical;
Violação direta do segredo da Confissão;
Apostasia;
Heresia;
Cisma;
Aborto.
Na religião católica, consiste em excluir ou expulsar oficialmente um membro religioso. Sanção religiosa máxima que separa um membro transgressor da comunhão da comunidade religiosa. O mesmo que desassociação em outras religiões. Pode ser aplicada a uma pessoa individual ou aplicada colectivamente.
[editar]Tipos de excomunhão religiosa
Excomunhão ferendae sententiae - A que é decretada pela autoridade eclesiástica, aplicando a pessoa ou pessoas determinadas as sanções que a religião tem estabelecidas como condenação da falta cometida.
Excomunhão latae sententiae - Aquela em que o fiel incorre no momento que comete a falta previamente condenada pela religião.
Excomunhão de participantes - Aquela em que incorrem os que se associam com o excomungado declarado ou público.
Excomunhão menor - É limitada apenas à privação dos sacramentos.
Excomunhão maior - É aplicada contra os cristãos que têm incorrido em heresia ou em determinados pecados de escândalo, privando o excomungado de receber e administrar os sacramentos, de assistir aos ofícios religiosos, da sepultura eclesiástica, dos sufrágios da religião, de toda dignidade eclesiástica, do relacionamento com os demais fiéis, etc. Quando a Excomunhão Maior se pronuncia solenemente ou num concílio e vai contra a heresia, chama-se também anátema, ou seja, os excomungados são considerados amaldiçoados.
[editar]Judaísmo

A máxima punição que um devoto leva. Essa punição é julgada por um tribunal de Rabinos (rabinico (bet din)) para os os devotos que violam gravemente os mandamentos ou alguma norma do rabinato.
Tipos de Excomunhão:
separação;
repreensão;
anátema.

nota do blogueiro: matar milhões de pessoas, estuprar uma vila inteira ou a enteada de 9 anos, exterminar uma civilização ou tirar dinheiro dos pobres, nada disso dá excomunhão sumária. Mas dar um tapa no papa, sim... ah se eu pego esse Bento XVI na minha frente... e falando na minha excomunhão, até agora não recebi resposta da Igreja sobre meu pleito. Só uma confirmação de que meu e-mail foi recebido:

Olá, Bruno Lourenço Reis...

Agradecemos sua mensagem.

Em breve entraremos em contato.

Atenciosamente,
CNBB - Centro Oeste
http://www.cnbbco.org.br